Saussure e Benveniste introduziram na linguística de seu tempo uma perspectiva que perdura até hoje e que se configurou como incontornável: o pertencimento da linguística às ciências do homem. Com esses dois pensadores, somos obrigados a desconfiar do alinhamento da linguística a todo modo de fazer ciência que ignore o essencialmente humano: a capacidade simbólica de produzir sentido.
A imbricação homem/linguagem é necessária e constitutiva das linguísticas que Saussure e Benveniste ajudaram a criar, na justa medida em que é a única formulação conciliável para a evidência de que é um homem falando com outro homem que encontramos no mundo.
É por acreditar nesses princípios gerais que, para construir uma história da presença de Saussure e Benveniste na linguística brasileira, Valdir do Nascimento Flores confronta criticamente sua apreensão dos pensamentos saussuriano e benvenistiano com outros pontos de vista. Se há alguma pertinência nesta empreitada, o leitor dirá.