Formas de cair é um livro de poemas que pretende contar três histórias, sem deixar ao mesmo tempo de possuir poemas que funcionam isoladamente. A primeira parte, chamada Romance deformação , traz poemas cujo ponto de vista é de um sujeito de fronteiras, num país como o Brasil, onde se explicitam cada vez mais as tensões sociais e raciais. Daí ele se sentir uma mistura uma fundura / uma montagem adúltera de tudo e por isso se denominar clandestino que forço fronteiras / não me detenho / não confio nem sou confiável / de mim desconfio de mim me desvio / cruzar fronteiras é meu ofício / minha dupla vida única / minha única dupla morte . A segunda parte, intitulada Urbi et orbi , trata de espaços urbanos, sobretudo de uma Salvador não turística, uma cidade de olhos e mãos a vigiar estrangeiros / se afogando nas águas que alagam rugas nos rostos , e com grandes doses de violência simbólica e real, cujos turistas / testemunham / sob seus bonés / o impossível fim , mas que também faz parte de um Brasil em que algo de podre parece viver / nesse país de sorriso fácil / e sangue nos dentes / queimando a carne / em banho-maria // o valor venal da terra e do corpo / seu cheiro de morte a frio e a fogo / fazem os pulmões tossir suas moedas . Por fim, a terceira parte, Formas de cair , tematiza sutilezas nos relacionamentos com outras pessoas e como a poesia participa dessa questão, porque o poema ensina a cair (mote repetido várias vezes nos textos dessa parte) no inferno-abismo que é sempre o outro e porque As convenções são o trono / das perversões mais severas .