Este livro se propõe a analisar o paradoxo existente desde 1988 entre a conquista
de direitos sociais universais, tais como a saúde, e a falta de mecanismos para sua
concretização na prática, analisando o acesso às políticas de saúde por parte das
pessoas em situação de rua, percebido na restrição encontrada por essas pessoas
na área da saúde, processo vivenciado no trabalho direto da autora, há mais de doze
anos, com esse público nessas áreas. O método utilizado será o dialético crítico, com
a realização de um estudo teórico empírico de abordagem qualitativa, realizado
através de revisão bibliográ??ica, com consulta a autores que discutem a questão social,
capitalismo, trabalho, pobreza extrema, políticas sociais e a situação de rua,
além dos últimos censos realizados em Salvador e em âmbito nacional sobre a situação
de pessoas nessas condições. Analisam-se a realidade de duas unidades de
saúde, de atenção básica, do Centro Histórico de Salvador e as contradições no processo
social, político e econômico de negação de direitos que permeia essa questão.
O contexto brasileiro, mais especi??icamente do Centro Histórico de Salvador, demonstra
a falta de dispositivos para acesso desses sujeitos a políticas fundamentais
como a saúde. Entender essa situação implica considerar que a situação de rua precisa
ser analisada na construção e reconstrução de políticas sociais que, ao mesmo
tempo em que respondem formalmente às demandas apresentadas por esses sujeitos,
contraditoriamente reforçam sua condição de despossuídos de direitos, por
não se operacionalizarem na prática. Nesta obra, considera-se importante fundamentar
brevemente a situação de rua atrelada à criação, con??iguração e recon??iguração
histórica da pobreza extrema como expressão da questão social no sistema
capitalista de produção, entender, na história e na atualidade brasileira e no Centro
Histórico de Salvador, e o que se tem construído para a efetivação de direitos sociais
dessas pessoas, e os entraves que impedem esse avanço.