A Capoeira é jogo - jamais, exclusivamente, esporte, defesa pessoal, espetáculo, o que quer que lhe atribuam. Este é um princípio a se estabelecer como um ponto de partida: essa atividade de origem negro-brasileira é marcada por uma funcionalidade artística e cultural, que não deve ser entendida como um conjunto de funções aplicativas (como o artesanato, por exemplo), e sim como funcionalidade psicológica com um valor intrínseco próprio, de natureza ética, histórica, mítica, terapêutica etc. Neste Dança de Guerra, um dos primeiros trabalhos de reflexão acadêmica sobre a Capoeira, Júlio César de Tavares acrescenta a esse valor intrínseco a corporeidade como uma dimensão singular, capaz de conter história, mito, terapia, ética e o que mais caiba. É uma dimensão importante de se frisar, porque a pergunta frequente sobre a identidade desse jogo - ou seja, o que é mesmo Capoeira -, não tem resposta automática. Mas a corporeidade é um ponto de partida seguro.