GALILÉIA

Autor : Brito, Ronaldo Correia de

Editora: Alfaguara/Schwarcz

ISBN: 9788560281589


R$ 57,90
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Sinopse

Alfaguara apresenta o primeiro romance do renomado contista, ?dramaturgo e roteirista de cinema Ronaldo Correia de Brito, uma das vozes mais originais da literatura brasileira atual Seu modo de construção é cinematográfico. Econômico, conciso, cortante, ele reúne os fragmentos da tradição oral e ergue uma catedral literária com os cacos da ruína sertaneja e da tragédia clássica. - O Estado de S.Paulo Três primos atravessam o sertão cearense para visitar o avô Raimundo Caetano, patriarca de uma família numerosa e decadente que definha na sede da fazenda Galiléia. Ismael, Davi e Adonias passaram parte da infância ali, mas fizeram o possível para cortar seus laços com a terra de origem. Fazem parte de uma geração que largou o campo para nunca mais voltar. Foram viver no exterior, procuraram reconstruir a vida em Recife, em São Paulo, na Noruega. O que espera os três primos ao final da viagem é uma volta radical a esta origem, a esta fazenda que um dia foi próspera, que oculta segredos e traições e onde as pessoas se movem como nas tragédias . Por mais que os protagonistas tenham se distanciado da violência que ronda a família, voltarão a senti-la de perto, descobrindo que nunca escaparam - ou escaparão - ao destino que os cerca. Terão de se reencontrar com a família e seus fantasmas, e reviver histórias de adultério, vingança e morte. Nascido no mesmo sertão do Ceará onde está fincada a fazenda Galiléia, o contista, dramaturgo e roteirista Ronaldo Correia de Brito conhece profundamente o cenário escolhido para ambientar seu primeiro romance. Tivemos um ciclo épico e de tragédias nesse vasto sertão cearense. Nada disso foi representado até o esgotamento, como o ciclo do faroeste americano, a conquista do Oeste. Cadê os nossos John Huston, John Ford, Roberto Leone? Glauber e os diretores do ciclo do cangaço fizeram uma leitura sobretudo do social. Os acontecimentos foram bem mais transcendentes. A nova geração de escritores prefere escrever sobre os dramas urbanos , observa o autor em entrevista sobre sua obra. Ronaldo Correia de Brito não teme o rótulo de regionalista e se adianta às críticas: O meu sertão é a paisagem através da qual eu interpreto o mundo, o de hoje, o globalizado, o que rompeu com as tradições. Interessa-me a decadência, a dissolução. Meus personagens migram, sofrem o embate com as outras culturas. Sei que tenho sido vítima de preconceitos pela escolha dessa paisagem , diz o escritor. Para sua Galiléia, observa Ronaldo, convergem pessoas de todo o mundo. Trato das questões do nosso tempo, os conflitos de cultura, as migrações, a dissolução da família tradicional. Jogo na mesa os conflitos insolúveis entre cidade e campo , explica ele. Se você elabora uma personagem complexamente neurótica, feminista, com todos os anseios urbanos, e se você senta esta mulher numa cadeira de couro, olhando uma paisagem desolada do sertão, há quem enxergue apenas o cenário e três ou quatro substantivos locais. Embora essa mulher fale da mesma dor e da mesma solidão de uma negra americana do Harlem , compara o autor, herdeiro orgulhoso da tradição oral de sua terra. Acredito na supremacia da narrativa. As narrativas só perderão a função quando os homens perderem a fala, a audição e o dom de mentir. Costumo lembrar o quanto eram importantes os velhos narradores que tinham por única função na vida andar pelas casas interioranas, repassando conhecimentos que eles adquiriram e guardaram na memória. Acho que nenhum deles se perguntou algum dia sobre o valor do seu trabalho. Como também acredito que os aedos (artistas gregos que cantavam as epopéias) não se fizeram esta pergunta, enquanto fixavam o idioma, a mitologia e a épica grega , lembra Ronaldo, que explica também sua recorrente inspiração em passagens e personagens bíblicos: Aprendi a ler numa História Sagrada, que é uma seleta da Bíblia. Quando tinha sete anos, meu pai pediu que lesse em voz alta, para toda a família, um trecho da história de José do Egito. Foi a minha diplomação , conta ele, Eu sou um cara religioso, embora não freqüente nenhuma igreja. Costumo rezar, como os antigos hebreus, como Jó, aos impropérios, brigando com Deus. O mundo sertanejo lembra o da Bíblia, sendo que Deus foi desterrado dele.

Ficha Técnica

Editora: Alfaguara/Schwarcz
Código de Barras: 9788560281589
Coleção:
ISBN: 9788560281589
Edição: 1
Encadernação: BROCHURA
Idioma: PORTUGUÊS
Altura X Largura X Profundidade: 23,20 x 15,00 x 1,50
Ano: 2008
Nº Páginas: 240
Origem: Nacional
Peso: 362 g.