“Não será difícil notar as heranças modernistas que evidenciam ou valorizam os autores de À Moda de 22. De acordo com a poética de Bandeira, eles desconhecem o lirismo comedido, bem comportado, que não é libertação ou que não implica, como dizem, uma libertina liberdade; eles parecem prolongar o inconformismo nacionalista e antropológico (vale a pena referir esta passagem: preto morto, indiada morta, no lugar, branco / ou pardo), humanista e antiburguês de Mário de Andrade; o seu discurso é marcado, como o de Carlos Drummond de Andrade, por síncopes, por descontinuidades lógicas ou semânticas, por imagens, associações e metáforas insólitas e por um geral pessimismo e enigmatismo em relação ao mundo e ao homem; e quase todos os seus poemas são atravessados por sopros de irreverência, humor, carnavalização, utopia e antropofagia que não podem deixar de lembrar Oswald de Andrade.” Arnaldo Saraiva