O Ocidente aprendeu a enxergar a Al-Qaeda como um grupo terrorista liderado por Osama bin Laden, escondido em cavernas e planejando ataques espetaculares contra seus inimigos. De acordo com essa imagem, a Al-Qaeda seria formada por militantes e ativistas interconectados e espalhados pelo mundo, obedecendo a uma rígida e centralizada liderança hierárquica. O premiado repórter do periódico inglês Observer afirma que a visão comum dos ocidentais sobre a organização é equivocada a realidade atual é bem mais complexa e perigosa. Burke mostra que a Al-Qaeda com uma liderança centralizada existiu apenas entre 1996 e 2001, quando um pequeno grupo de militantes experientes, oriundos da guerra contra os soviéticos no Afeganistão, era capaz de acessar recursos em uma escala desconhecida até então dos islâmicos radicais. O autor demonstra, no entanto, que tal modelo deixou de existir após o 11 de Setembro, por causa da retaliação norte-americana ao ataque do World Trade Center. O envolvimento de Bin Laden diminuiu, bem como o papel dos ativistas mais experientes treinados nos campos afegãos. Na nova configuração da Al-Qaeda, predomina uma militância em que grupos autônomos realizam operações independentes de uma autoridade central, como no caso dos atentados em Madri e no Iraque.